Na pequena aldeia da Ereira, a realização das eleições de hoje gerou um misto de sentimentos entre os habitantes, especialmente em meio a uma situação crítica de cheias que afeta a região. Enquanto alguns defendiam que as eleições deveriam ocorrer, outros expressaram a opinião de que o ato eleitoral poderia ter sido adiado devido aos graves danos causados pelas inundações.

Sérgio Martinho, um dos moradores que já sofreu com a inundação em sua casa, votou com um “sentimento agridoce”, ressaltando a situação difícil que enfrenta, com a água já subindo mais de 1,5 metros desde o início da semana. Ele sugere que as eleições poderiam ter sido adiadas por mais algumas semanas, desde que muitas localidades, de norte a sul do país, ainda estão se recuperando das fortes chuvas.

Por outro lado, Maria do Carmo, local da Ereira e cidadã ativa, acredita que, por conta do isolamento da população, não havia necessidade de adiar as eleições. “Todos nós temos possibilidades de vir votar, moramos aqui e não saímos”, afirmou, ressaltando a importância de cumprir com o dever cívico, mesmo em tempos desafiadores.

Joaquim Claro Alves manteve a tradição de votações anteriores e não hesitou em participar. “Tradicionalmente tenho o hábito de vir, gosto de vir votar. E vinha sempre, independentemente de estarmos agora isolados ou não estarmos”, declarou.

A comunidade tem se unido em meio à adversidade. A associação local está servindo de abrigo e refeitório para os soldados do Exército e fuzileiros que estão na área para ajudar. Filipa Machado, uma voluntária, mencionou que o grupo tem se esforçado para proporcionar refeições adequadas aos militares que estão ali, mesmo enfrentando as suas próprias dificuldades com as cheias.

O acesso à Ereira, isolada devido à enchente, é feito através de botes dos fuzileiros da Marinha, com um trajeto que leva cerca de 15 minutos, e a segurança é uma prioridade, com todos os passageiros recebendo coletes salva-vidas.

Enquanto o contato com o mundo exterior permanece limitado, a solidariedade e o apoio mútuo entre os residentes e os voluntários demonstram a resiliência da comunidade. As dificuldades enfrentadas podem ser desafiadoras, mas a união e a ajuda mútua são fontes de esperança e força para todos os envolvidos.

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