Em uma entrevista à agência Lusa, o arquiteto Avelino Oliveira destacou a importância da construção sustentável, enfatizando que integrar cidades e respeitar os territórios pode resultar em construções mais duradouras. A declaração vem à tona em ocasiões de crises climáticas que Portugal enfrenta, como cheias, inundações e deslizamentos de terra, intensificados por uma série de tempestades.

Avelino Oliveira fez suas observações durante a inauguração da exposição “Habitar Portugal”, que será aberta hoje e permanece no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, até o final de abril. A mostra celebra os 50 anos da arquitetura portuguesa (1974-2024) e apresenta trabalhos icônicos de 100 autores, exemplificando boas práticas arquitetônicas.

A exposição, um projeto recorrente da Ordem dos Arquitetos, convida a uma reflexão sobre a arquitetura ao contar a história do espaço construído. O arquiteto ressaltou que a arquitetura deve transcender gerações, defendendo que construções que atendem apenas uma geração não cumprem sua verdadeira função.

Em suas considerações sobre o impacto das construções, Oliveira advertiu que materiais mais baratos podem não ser as melhores opções, pois estruturas rápidas, muitas vezes metálicas, mostraram-se vulneráveis a eventos climáticos extremos. Ele sugeriu que o verdadeiro planejamento é essencial para a prevenção de desastres, afirmando que certas áreas não devem ser submetidas à construção.

O arquiteto também apontou para o problema do urbanismo disperso em Portugal, enfatizando que essa prática fragiliza a infraestrutura urbana. Ele propôs uma abordagem de concentração urbana para criar núcleos mais resilientes e melhor preparados para enfrentar dificuldades, incluindo crises energéticas.

Oliveira criticou a construção em áreas propensas a cheias ou em zonas de proteção, expressando preocupação com os efeitos das construções sobre outros sistemas. O PDM (Plano Diretor Municipal) foi mencionado como uma das principais ferramentas de planejamento, cuja desconsideração pela gestão tem levado a falhas significativas na ordenação do território.

Seu discurso sublinha a necessidade de uma visão colaborativa e integrada para o planejamento urbano. Ele exhortou a necessidade de trabalhar em rede, considerando que a gestão de recursos naturais, como rios e florestas, não pode ser feita de forma isolada, mas deve envolver uma perspectiva mais abrangente que integre diferentes municípios.

Essas reflexões de Avelino Oliveira não apenas oferecem um apelo à mudança nas práticas de construção e urbanismo em Portugal, mas também sugerem um futuro mais sustentável e resiliente, onde a arquitetura e o planejamento urbano possam fluir de forma harmônica, contribuindo para a proteção do território e das comunidades.

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